segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Texto pra não deixar novembro em branco

As pessoas estão a todo momento procurando uma adequação.
Adequação de idéias, adequação de status, adequação da moral.
Essa adequação, de fato, precisa fazer sentido ao grupo e não somente a elas.
O grupo precisa ver que ela faz parte do todo.
Nessa visão, a vida em sociedade atribui os deveres éticos e com eles o medo das consequencias.
O indivíduo tem medo de ser um fracassado.
Ser um fracassado é não fazer parte dos grupos sociais.
Para que isso não ocorra, todos vislumbram e batalham por um lugar ao sol, mesmo que esse lugar não faça sentido pessoal.
O indivíduo também precisa ser regular nos seus argumentos e, acima de tudo, não deve expor ideais conflitantes pois ele pode ser punido.
Vale ressaltar que a prática dos deveres éticos já são disseminados desde o indivíduo criança.
O medo da violência também é bastante ativo nos dias de hoje. Os indivíduos se sentem indefesos com tais ações que são prontamente punidas. Isso se dá justamente para que os outros pensem bem em não reproduzí-las.
A religião é outra forma de normatizar as ações nos grupos sociais. O medo de que atitudes fora do padrão e ditas pela sociedade como erradas tenham uma punição divina.
E, por fim, o medo das pestes. O indivíduo tem pavor das doenças. Muitas vezes ele se sente aliviado por ser o outro e não ele que foi acomedito por um mal.
Há o que se pensar com todas essas normas a amendrontar o ser-humano.
A lapidação que Nietzsche faz do espírito livre, ao corromper os antigos ideais da humanidade e ser feliz, há de fazer mais sentido pra mim.

sábado, 31 de outubro de 2009

Coragem




"Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo" Mark Twain



Um belo dia dia, que não é como qualquer outro, você é surpreendido a ter coragem.
Você passa a enxergar dois caminhos e, inacreditavelmente, só pode trajetar em um.
Bem alí, há-de aparecer um sentimento que sempre anda junto com a coragem, o medo.
Eles são inseparáveis e disputam entre sí.
A única certeza que é que nada ficará igual a antes, tudo vai mudar.
Essa certeza que antecede a incerteza do momento que virá, lhe trará arrepios.
Eis aí um indício de que o medo está na frente.
O que fazer?
Essa pergunta é a mola propulsora da coragem, ou da falta dela.
Na verdade, muitas vezes precisa-se ter mais coragem para admitir a falta dela.
Então, pode-se dizer que existem dois tipos de coragem: a coragem e a coragem de admitir sua inexistência.
Nesse caso, há que se reconhecer que não existem sujeitos covardes e sim aqueles que apenas escolheram ter ou não ter coragem.
Não ter coragem também demostra atitude, logo, ela é mais uma maneira de ter coragem.
Pois bem, agora é preciso pensar somente nas consequências de cada escolha.




"A grande coragem, para mim é a prudência" Eurípedes




terça-feira, 20 de outubro de 2009

E se...



Não precisa existir objetivo nenhum, nada programado para daqui a alguns anos.
E sobre o que você pensava quando tinha 10, 15, 20 anos?
Acabou no dia que você acordou e percebeu que tudo mudou e que nem mais se reconhece. Simplesmente será assim daqui por diante.
Seus medos serão cada vez mais grandiosos, mais pesados.
E aquela convicção de que a felicidade era facilmente alcançável e durava pra sempre?
Hoje tudo se esvai pelos atropelos do dia-a-dia. Essa tal felicidade é tão fugaz quanto o tempo.
Planejamos, elaboramos, estabelecemos metas para daqui a alguns anos. Somos cegos já que nem temos certeza dos anos que virão.
O nada não precisa de objetivo, não precisa ser programado.
Devemos sim é viver até quando durar a respiração, mesmo que ela seja funda e amarga. Mesmo que ela seja a própria dor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Deixe vazio



Você está ali.
Simplesmente ali parado , sentindo que tudo está como não deveria estar.
Oferece manjares, mas não há quem os queira.
No espaço que repentinamente recuperou o silêncio, enguem-se milhares de muralhas enormes.
Dizem que é preciso conhecer a noite.
Na verdade é preciso conhecer o instante sutil em que você se volta para sua vida, regressando para sua rocha. Só resta contemplar essas ações desvinculadas que se tornou seu destino.
Completamente cego que deseja ver o inevitável e essa noite não tem fim.
Mais uma vez uma noite.
Você sempre revê seu fardo.
Em seguida, só resta o gosto por essas dores inúteis.
O fato é que o desespero imenso fica pesado demais para se carregar.
A única maneira é fazer desaparecer as verdades esmagadoras ao serem reconhecidas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Depois dos 29

Esquecer os fantasmas do passado, planejar o futuro, viver o presente, desejar quem me deseja, acreditar no amor, saber sentir a dor, não criar expectativas, de jeito nenhum criá-las!!!
Apoiar quem está ao meu lado, desistir de perdoar e apenas esquecer, não pensar em traições, a vida é única, eu desenho a minha.
Aprender com os erros e esquecer o resto, confiar, apenas confiar. Acima de tudo, saber levantar, ter o dom de rir das próprias desgraças, achar muita graça, rir bastante, ser ignorante ás vezes.
Saber ignorar, saber esquecer, esquecer bem rápido.
Limitar os sentimentos ruins, não senti-los ao extremo.
Conversar, deixar as palavras saírem com sintonia entre elas, sempre dialogar com quem está do meu lado, sem puritanismos.
Ser a melhor, ir a esse pico e gostar bastante dele.
Não perder a cabeça, saber dosar as coisas, não sair do eixo e evitar ir ao fundo do poço.
Ser feliz mas jamais esquecer de saber sentir a tristeza quando ela vier, ser ciente que ela não deve ficar por muito tempo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Coisas que quase nunca acontecem


Coisas que quase nunca acontecem:
Você chegar no seu carro, se deparar com uma multa no capô e ficar híper feliz.

Ser comprovado durante 10 anos que o mês do seu aniversário é o pior mês de todos os meses e você ainda se sentir bem, realizada por mais um ano de vida.

Um dos seus melhores amigos te pedir muito dinheiro emprestado, não pagar e mesmo assim você nutrir grande carinho por ele.
Você empelotar o rosto todo e mesmo assim sair de casa para trabalhar como se nada estivesse acontecendo.

Todas as dívidas aparecerem de repente e você ainda continuar dormindo todas as noites um sono tranquilo.

Seus pais serem desequilibrados e você ser centrada.

Você viver traições desde o nascimento e sentir confiança plena em todas as suas relações amorosas e, acima de tudo, nunca trair.

Você não acreditar em Deus e mesmo assim ir todos os domingos à igreja.
Essas são coisas que quase nunca acontecem, elas acontecem comigo.

Estamos no mês de setembro. Um mês que começou a pouco e que está longe de acabar. Um mês que se faz por sí só, como todos os outros.

Seu único diferencial é que nele eu completo 29 anos.

Ser otimista? Que palavra é essa que não cabe no contexto das coisas que nunca acontecem?

Otimisto literalmente não é algo estampado nesse contexto.




terça-feira, 28 de julho de 2009

Polivalente


Por onde andam meus pensamentos.
Eles vêm e vão e não se apegam a nada, estão perdidos.
Eles viajam, passeiam por lembranças e se inquietam com o que vem por aí. Nunca param.
Gosto quando eles percebem coisas que minha esperança não domina mais.
Gosto também quando eles ressuscitam pessoas, coisas imagéticas que só mesmo os meus pensamentos poderiam conseguir.
Minha memória se inquieta com seus poderes, eles a remexem. Muitas vezes somente minhas lágrimas podem ajudá-la.
Meus pensamentos gostam de fazer perguntas de tudo aquilo que poderia ter sido mas não foi.
Muitas vezes, as palavras tentam dominá-los. Usam textos e diálogos para tal. No final, a essência dos meus pensamentos fica incompreendida.
Incompreendido é também meu coração. Meus pensamentos nunca o perdoam e querem sempre reviver o que já deixou de ser amor, culpa e dor.
Por outro lado, existem momentos em que meus pensamentos conseguem unir esperança, fé, memória, dúvidas e palavras. Acreditem, isso faz com que meu coração fique polivalente e até mesmo equilibrado.